Em meio aos vários tipos existentes nas prateleiras, sob diversas marcas, com diferentes classificações e preços, é muito fácil se sentir confuso na hora de comprá-lo. Para colher os benefícios do “ouro líquido”, o primeiro passo é aprender a escolher um bom azeite.

Veja a seguir alguns cuidados e orientações na hora da compra, que podem ajudar você a levar para casa um produto de qualidade:

  1. Para começar, compre o azeite quando não estiver com pressa. É preciso tempo para analisar a embalagem;
  2. Não leve o produto se na embalagem indicar que há algum outro óleo junto ao azeite (soja, girassol ou outro), pois se trata de um óleo composto. O azeite de oliva genuíno é produzido unicamente a partir de azeitonas;
  3. Pegue o azeite que estiver ao fundo na prateleira, que fica menos exposto à luz, e, portanto, menos oxidado;
  4. Preste atenção nos rótulos dos azeites importados. Deve-se dar prioridade aos azeites embalados no próprio país de origem. Os azeites que são produzidos num país e embalados em outro, podem sofrer o processo de oxidação, perdendo a qualidade nutricional;
  5. No rótulo, observe termos como “produzido” ou “engarrafado”. O termo produzido refere-se ao azeite que foi produzido e engarrafado no mesmo local. Diferente do termo engarrafado, que não garante a devida procedência;
  6. Prefira as embalagens de aço inox ou vidro escuro, que são as mais eficazes para proteger o azeite de oxidação causada pela luz;
  7. Caso observe algum azeite turvo, pode ser resultado de um menor grau de filtragem, quando partículas de azeitona ficam em suspensão no azeite. Isso não compromete a  sua qualidade nutricional;
  8. Por via de regra, a relação é simples: quanto menor a acidez, maior a pureza e, por consequência, os benefícios à saúde.

Cuidado com os exageros: apesar de todos os incentivos de consumo, o azeite de oliva é uma gordura e, como tal, é calórico para o corpo. Por isso, deve ser consumido com moderação. Para sentir os benefícios para a saúde sem exagerar, recomenda-se ingerir duas colheres de sopa (23 gramas) por dia. 

Cuidados com a conservação: com relação ao estado de conservação sabe-se que o azeite de oliva não é como o vinho. Ele deve ser consumido o quanto antes, dentro do seu próprio ano de produção. Para conservá-lo, deve-se evitar a exposição prolongada ao ar, à luz solar direta e ao calor. O ideal é adicionar azeite de oliva nas preparações frias e nas que têm aquecimento brando, como refogados e ensopados. Para aproveitar todos os benefícios do ingrediente, este não deve ficar muito tempo no fogo, pois componentes importantes como os antioxidantes podem ser alterados.

Benefícios à saúde: nas últimas décadas, o azeite de oliva ganhou o status cientificamente comprovado de aliado do coração e está entre os alimentos essenciais para uma dieta saudável. Isso porque a substância oleosa extraída das azeitonas tem um índice elevado de ácidos graxos monoinsaturados como o ácido oléico, eficaz na redução dos níveis de colesterol LDL no sangue. Esse tipo de gordura, quando substitui a saturada na dieta diária, provoca a desobstrução das artérias, ajudando a saúde do coração. Ao mesmo tempo, a composição do azeite de oliva mantém os níveis de HDL, chamado de bom colesterol, porque absorve os cristais de LDL das artérias e leva-os ao fígado para eliminação. Além de fazer bem ao coração, o azeite derivado das oliveiras também é uma fonte rica em vitamina E e antioxidantes como o caroteno e polifenóis, capazes de combater os radicais livres, que envelhecem as células. Dessa maneira, as propriedades do azeite de oliva têm efeito protetor contra uma série de doenças degenerativas, entre as quais a cardíaca. Uma prova disso é a longevidade dos habitantes da região do Mediterrâneo, que ultrapassam os 80 anos com baixos índices de problemas cardíacos quando comparados aos países do Ocidente.

Outras descobertas: os benefícios do azeite se estendem ainda a outras partes do corpo. E a lista é grande: Pesquisadores da Universidade de Valme, na Espanha, observaram que o azeite de oliva combate o micro-organismo por trás da gastrite; Cientistas do Instituto Monell, nos Estados Unidos, encontraram no azeite uma molécula que oferece alívio para as dores crônicas; Pesquisadores da Universidade de Jáen, na Espanha, notaram que o alimento combate a osteoporose; e outras pesquisas já apontaram a ação preventiva em tumores.

Saúde da pele: o consumo de azeite de oliva pode fazer bem para a saúde da pele, pela grande quantidade de vitamina E. Alguns profissionais de beleza indicam a aplicação direta do azeite na pele e cabelos, motivo pelo qual o alimento está presente na composição de alguns cosméticos de beleza e tratamentos em spas. Sem falar nas diversas receitas caseiras encontradas internet afora, que vão desde máscaras para fios de cabelo danificados até removedores de maquiagem.

Você conhece os diferentes tipos de Azeite?

Como o café e o vinho, o azeite de oliva também tem variação de qualidade, que é determinada pelos cuidados em todo o ciclo de produção. Segundo o Instituto Nacional de Metrologia, Normatização e Qualidade Industrial (Inmetro), diversos fatores influenciam na qualidade do azeite de oliva: variedade da azeitona, condições climáticas na etapa de produção, tipo de solo, práticas do cultivo, estado de maturação do fruto, acidez e tempo de processamento das azeitonas após a colheita. De acordo com o Inmetro, o azeite de oliva deve ser obtido através do processamento do fruto das oliveiras, a azeitona, e não pode apresentar mistura com qualquer outro tipo de óleo. Ou seja, não se pode empregar a denominação de azeite de oliva quando ele é obtido por processos químicos.

Conheça os tipos de azeite de oliva:

LAMPANTE (*acidez superior a 3,3%) – Este azeite não pode ser consumido diretamente devido a sua acidez intensa. É usado como combustível em lamparinas e outros tipos de equipamentos de iluminação. Para ser comercializado, esse azeite deve sofrer refinação (neutralização, descoloração e desodorização).

AZEITE DE OLIVA COMUM (de 1,51% a 3% de acidez*) – É o azeite lampante refinado quimicamente, cujo processo resulta em perda do gosto, cor, aroma e parte das vitaminas e outros nutrientes. Para ser comercializado, recebe a adição de azeite virgem ou um extravirgem. Normalmente usado para frituras, tem cor mais clara que os azeites virgens e perfume e sabor menos acentuados. Muito comum nos supermercados brasileiros.

AZEITE VIRGEM (acima de 0,8% e até 1,5% de acidez*) – São azeites obtidos a partir do fruto da oliveira unicamente por processos físicos/mecânicos. É um azeite de boa qualidade, mas pode apresentar defeitos de cheiro e sabor quando em comparação ao azeite extravirgem.

AZEITE EXTRA VIRGEM (*acidez até 0,8%) – Não sofre nenhum refino químico e é prensado a frio, o que mantém seus nutrientes benéficos. O azeite extravirgem é o mais saudável de todos os tipos de azeites.

*Classificação de acordo com o Ministério da Agricultura
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